Sobre Andre de Rose

** Em Edição **


Na década de 1980, outro instrutor de Yoga, Andre De Rose, estava começando a ter suas primeiras inspirações relacionadas ao mundo do bom humor. Foi em um Congresso Brasileiro de Yoga, no SESC no ano de 1987, que André, então com 20 anos de idade, e apenas quatro anos que lecionava, foi convidado a dar uma vivência de āsana (as posições modernas de Yoga), foi aí que ele se deparou com uma situação inusitada, antes da prática dele, por causa de mal gerenciamento da coordenação, as palestras e aulas acumularam um considerável atraso de 50 minutos na programação. Antes da vivência que ele iria dar, um instrutor de Yoga, que deveria entrar naquele horário, sugeriu que ele não desse a sua prática para que ele pudesse se apresentar, André não aceitou, e ofereceu uma alternativa mais justa, disse para ambos dividirem o tempo. Contrariado, o outro instrutor aceitou. Ele esperou a vivência do André acabar e entrou furioso, durante a sua oficina ele começou a falar palavrões e gritar, aparentemente como parte de uma prática de meditação dinamica muito esquisita, que lhe causou um enorme estranhamento, naquela época, Andre achava que isso se devia ao atraso e a provável irritação do outro colega, contudo, essa prática terminou com choros e gargalhadas. Tudo parecia bizarro, mas isso instigou a sua curiosidade, e o fez procurar alguma fundamentação, pois a parte da gargalhada chamou bastante a atenção de todos. E observando de fora, percebeu que nem os palavrões, nem o choro, chamaram muito a atenção da audiência, que observava atônita a prática que se desenrolava. Todavia o riso foi diferente, atraindo muito mais a atenção de todos, além disso, a assistência que olhava o grupo no palco, também estava rindo bastante.

Todo esse conhecimento, ficou em sua memória “fermentando as ideias”. No mesmo ano, o jovem instrutor, foi procurar a fonte daquela prática pouco comum, e encontrou de onde aquela dinâmica tinha sido retirada, foi o trabalho do Rajneesh, e a gargalhada era uma das suas meditações dinâmicas mais famosas. Entretanto, André estava agora no papel de praticante e não mais de observador passivo, não gostou nem um pouco, se sentindo deslocado e visivelmente reticente em realizar alguns comandos, o profissional que ministrou a vivência sem nenhum tato, ainda o acusou de ser “travado” e “reprimido”, mas na verdade, André apenas não queria fazer algo que não tinha nenhum nexo para ele. Definitivamente a prática “não bateu”.

Finalmente em 1988, logo após uma festa, um de seus alunos mais próximos, Paulo Miller se vira para o André e pergunta: “Porque você nunca ri? Nem mesmo quando contamos algo engraçado você esboça alguma reação!” Imediatamente a resposta foi: “claro que eu acho graça!”, e o aluno remendou: “Não mesmo, você não demonstra!” Disse ele taxativamente!

O que o Miller havia falado, mexeu bastante com ele, que foi para casa imediatamente se olhar no espelho e não reparou nada demais. No correr da semana, se deparou com inúmeras situações, onde poderia ter manifestado um leve sorriso, contudo, não o fez.

Aos poucos se observando, viu que realmente ele não ria com a frequência que parecia ser adequada. Se questionou: “como poderia ser isso?” Afinal, ele sempre foi uma pessoa tão bem humorada e tão risonho, o que estava havendo? E pensou consigo mesmo determinado, “vou treinar na frente do espelho até voltar a ser quem eu era!”

E em apenas uma semana, algo mudou! Quando estava caminhando na rua, uma pessoa que ele nunca tinha visto antes, perguntou-lhe as horas. O estranhamento havia sido tão grande, pois afinal de contas ele se questionou, “quem é esse estranho e porque ele está falando comigo?” E ao invés de dizer a hora, a única coisa que saiu de sua boca foi: “o relógio está quebrado!”, e fugiu dali rapidamente… No dia seguinte, outra pessoa, e a mesma situação se repetiu, só que dessa vez era para saber qual o nome de uma rua, por coincidência, era o nome da rua onde sua escola de yoga era estabelecida! E ele se comportou do mesmo jeito, “não sou daqui”, disse ele assustado, e novamente foi embora!

André havia passado tanto tempo de cara amarrada, que ninguém, que não o conhecesse, jamais se aproximava. Passado o susto concluiu: “estou com um problema”. Mas antes de buscar um profissional especializado, resolveu refletir sobre o ocorrido e percebeu que foi o longo tempo sem rir que lhe tirou essa habilidade, afinal de contas, ele era só um rapaz quando começou a dar aulas, todos os seus ídolos e exemplos eram sérios e austeros. Como ele mesmo diz: “passei vários anos dando aula sem rir, pois achava que isso daria seriedade ao meu trabalho, nem percebi quando parei de sorrir, só queria ser levado a sério!”

Passando um tempo, ele foi mudando e percebeu que retornar a ser uma pessoa risonha, proporcionou muitas transformações sociais, as pessoas passaram a se aproximar, convidar ele para todo o tipo de evento, festas, conversas e seu círculo de amizades dobrou. O resultado foi tão bom, que ele pensou, “preciso dividir isso com os outros”, assim sendo, resolveu fazer uma experimentação em sua primeira escola de yoga, o Núcleo Cultural Manas Karani em 1988, sua experiência foi um desastre! Poucos aderiram a novidade. Mas ele não desistiu! Ficou pensando em uma forma diferente de fazer as pessoas adotarem essa ideia. Para ajudar esse processo, trouxe aulas de teatro para sua escola convidando o ator Daniel Barcellos, isso o ajudou a ficar em contato com o mundo das artes cênicas.

Sobre o Yoga do Riso desenvolvido e aplicado por Andre